Ciência,
Por: 14 de julho de 2014

Astrofísicos percebem que a origem de 80% da luz do universo sumiu

O valor total de luz no universo pode ser medido pelo rastreamento de mudanças no hidrogênio depois de sua exposição à luz ultravioleta. Ele fica ionizado e, então, pode ser visto por grandes telescópios.

Um estudo do Astrophysical Journal Letters mostra uma teoria intrigante: a quantidade de hidrogênio ionizado sugere que há muito mais luz ultravioleta no universo do que se pode explicar – cinco vezes mais que o esperado. Essa luz ultravioleta poderia estar se originando de uma “fonte nova e exótica”, de acordo com os cientistas.

A autora do estudo, Juna Kollmeier, do Carnegie Institution for Science in America, diz: “É como se você estivesse em um quarto grande e fortemente iluminado, mas quando olhasse ao redor, visse lâmpadas de 40 watts. De onde essa luz toda estaria vindo?”

Curiosamente, esse ‘desencontro’ entre luz e origem só aparece no cosmos próximo e relativamente bem estudado. Quando os telescópios se focam em galáxias há bilhões de anos luz daqui, todos os cálculos se encaixam. O fato de estas contas funcionarem no universo primitivo, mas falharem localmente, deixou os cientistas intrigados.

As duas fontes de ionização conhecidas são estrelas jovens com altas temperaturas e quasares – alimentados por gás quente que cai em buracos negros supermassivos com milhões de vezes a massa do sol, são os maiores emissores de energia no universo, maiores que estrelas, porém pequenos demais para serem considerados galáxias.

OVV quasar
OVV quasar

Observações mostram que fótons destas estrelas são quase sempre absorvidos pela sua galáxia hospedeira. Eles nunca escapam para afetar o hidrogênio intergaláctico. Porém, o número de quasares é bem menor do que o necessário para produzir tanta luz.

“Ou nossos cálculos sobre a luz das galáxias e os quasares está errada, ou há outra fonte importante de fótons ionizados que ainda não descobrimos”, Kollmeier diz. “Estamos chamando esta luz perdida de ‘crise de subprodução de fótons’. Mas são os astrônomos que estão em crise. O universo está se saindo muito bem.”

 

Fonte: Carniege Institution of Science e National Post

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O Autor

Carla

Carla

Aspirante a programadora, sonhadora de olhos abertos e questionadora sem respostas. Adora jogos, internet e nomes científicos curiosos. Uma junção de bits estranhos.